Utilizo três abordagens: a cirurgia convencional, o laser endovenoso e a radiofrequência. A escolha depende da extensão do refluxo, da anatomia das veias do paciente e de outras condições de saúde.
Passo a passo, prazos e indicações.
Preciso operar as minhas varizes? A cirurgia de varizes é indicada quando o eco-Doppler mostra que a safena perdeu a função de levar o sangue de volta ao coração e as varizes causam sintomas que a meia elástica e os outros cuidados clínicos já não controlam. A decisão de operar depende desse exame e do quanto as varizes atrapalham o dia a dia, e a aparência das veias sozinha não define a indicação.
Utilizo três abordagens: a cirurgia convencional, em que a safena doente é retirada (safenectomia), o laser endovenoso e a radiofrequência, que fecham a safena por dentro com calor. A escolha depende da anatomia das veias de cada paciente, vista no eco-Doppler.
Dr. Rafael Apoloni, médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519. Texto revisado em outubro de 2026.
As veias das pernas têm válvulas que funcionam como portas de mão única: abrem para o sangue subir em direção ao coração e fecham para ele não voltar. Quem empurra o sangue para cima é a panturrilha, a batata da perna, que se contrai a cada passo. Por isso a gente diz que a panturrilha é o coração das pernas. Quando as válvulas da safena deixam de fechar, o sangue volta para baixo e se acumula. O eco-Doppler mostra esse retorno, chamado de refluxo, e é ele que dilata as veias e provoca peso, cansaço e inchaço.
Para indicar a cirurgia de varizes, sigo um raciocínio em três etapas:
Alterações de pele perto do tornozelo pesam mais na indicação: o escurecimento da pele (dermatite ocre), o eczema e o endurecimento do tecido (lipodermatoesclerose) mostram que a doença avançou e que existe risco de evoluir para úlcera venosa. Nesses casos, tratar a safena tem caráter preventivo.
Quando a úlcera já está aberta, tratar cedo o refluxo, junto com a compressão da perna, ajuda a cicatrizar. Num ensaio clínico com 450 pacientes com úlcera venosa (EVRA), tratar o refluxo nas duas primeiras semanas, somado à compressão, acelerou a cicatrização e aumentou o tempo sem úlcera em comparação com adiar o tratamento da veia.
É comum receber pacientes que convivem com varizes há anos achando que o problema é “só estético”. Quando faço o mapeamento venoso e mostro o refluxo no eco-Doppler, muitos entendem que a doença é funcional e que costuma progredir.
Se você tem varizes com peso, cansaço ou inchaço nas pernas, o eco-Doppler venoso mostra se existe refluxo e se a cirurgia faz sentido no seu caso.
Agende uma avaliação ou fale com o consultório pelo WhatsApp (11) 93089-1050.
A gravidade da doença venosa crônica segue a classificação CEAP, usada no mundo todo:
A partir de C2, com refluxo documentado e sintomas, a cirurgia entra como opção. A partir de C4, costumo recomendar o tratamento mesmo quando os sintomas são leves, porque a progressão para úlcera é um risco real.
Todo paciente que considero para cirurgia de varizes passa por uma avaliação em etapas. A consulta vem primeiro: história de varizes na família, profissão (muitas horas em pé ou sentado), gestações, tromboses anteriores e remédios em uso.
O exame físico mostra onde estão as varizes, se há inchaço, alterações de pele e como estão os pulsos das artérias. O exame decisivo é o eco-Doppler venoso, um ultrassom que mapeia as veias profundas e superficiais, localiza os pontos de refluxo e mede o calibre das veias doentes. Sem esse mapa, não dá para planejar a cirurgia.
Em casos específicos, como cirurgia de varizes anterior, suspeita de trombose antiga ou varizes em lugares atípicos, peço também angiotomografia ou angiorressonância.
Exames de sangue (hemograma, coagulograma, glicemia e função dos rins) e avaliação cardiológica completam o preparo, conforme o perfil clínico de cada paciente.
Utilizo três abordagens: a cirurgia convencional, o laser endovenoso e a radiofrequência. A escolha depende da extensão do refluxo, da anatomia das veias do paciente e de outras condições de saúde.
Na técnica convencional, a safena é ligada no ponto em que encontra a veia profunda, na virilha (safena magna) ou atrás do joelho (safena parva), e a veia doente é retirada. Essa é a safenectomia, que muitos pacientes chamam de cirurgia de safena. A ligadura na virilha exige um corte maior do que os furos usados no resto da perna. As varizes ramificadas, chamadas de tributárias, saem por furos de 2 a 3 milímetros (flebectomia).
É a técnica com mais tempo de uso e de acompanhamento em estudos. Numa metanálise de 2023 que reuniu 18 publicações e 1.936 pacientes (Shrestha e colaboradores), a cirurgia convencional teve 4,35 vezes mais chance de sucesso técnico em dois anos do que o laser endovenoso. Já a metanálise de 2026 de Sayarer e colaboradores, com 27 ensaios, não achou diferença no fechamento da safena entre a convencional, o laser e a radiofrequência.
Indico a técnica convencional quando o laser e a radiofrequência não são viáveis, por exemplo quando a safena é tão tortuosa que a fibra do laser não consegue passar ou quando a anatomia das veias é complexa.
No laser endovenoso, uma fibra óptica fina entra na safena doente, guiada por ultrassom. O calor do laser faz a parede da veia se retrair, e a veia se fecha. Não é preciso retirá-la: o corpo reabsorve a veia tratada nas semanas seguintes.
Na mesma metanálise de 2023, o grupo do laser teve menos manchas roxas (equimose), hematoma, alteração de sensibilidade, infecção e flebite do que o grupo da cirurgia convencional. O tempo de procedimento e a recidiva em 1, 2 e 5 anos foram iguais entre as duas técnicas. Os autores concluem que as duas têm eficácia clínica comparável e que nenhuma é claramente superior à outra.
Na radiofrequência, um cateter fino entra na safena, também guiado por ultrassom, e aquece a parede da veia por dentro, com temperatura controlada, até ela se fechar. O princípio é o mesmo do laser.
Laser e radiofrequência têm resultados equivalentes no fechamento da safena, e os dois se equiparam à cirurgia convencional nesse ponto, segundo uma metanálise de 2026 com 27 ensaios clínicos (Sayarer e colaboradores). Faço as duas técnicas, e a escolha entre elas depende das particularidades anatômicas de cada caso.
Muitos procedimentos combinam mais de uma abordagem no mesmo ato: tratar a safena com laser ou radiofrequência, retirar as varizes por pequenos furos e fazer a escleroterapia dos vasinhos. Assim, as veias doentes de calibres diferentes são tratadas numa única cirurgia.
| Critério | Convencional | Laser endovenoso | Radiofrequência |
|---|---|---|---|
| O que acontece com a safena | É retirada | É fechada por dentro com calor | É fechada por dentro com calor |
| Anestesia | Raquidiana ou geral | Local com sedação | Local com sedação |
| Cortes na pele | Corte na virilha ou atrás do joelho, maior que os furos da flebectomia | Punção da veia com agulha | Punção da veia com agulha |
| Fechamento ou retirada da safena | Equivalente no fechamento (metanálise de 2026); mais sucesso técnico em dois anos numa metanálise de 2023 | Resultado equivalente ao da radiofrequência e ao da convencional | Resultado equivalente ao do laser e ao da convencional |
| Retorno ao trabalho sentado, na minha orientação | 10 a 15 dias, como referência | Cerca de 7 dias, como referência | Cerca de 7 dias, como referência |
| Indicação principal | Casos em que laser e radiofrequência não são viáveis | A maioria dos casos de refluxo na safena | A maioria dos casos de refluxo na safena |
Os prazos de retorno ao trabalho são estimativas e variam conforme as condições clínicas, a idade, as outras doenças do paciente (comorbidades), o nível de atividade física e a extensão do procedimento. A orientação individual do cirurgião prevalece.
As diretrizes de 2022 da Society for Vascular Surgery (SVS), American Venous Forum (AVF) e American Vein and Lymphatic Society (AVLS) recomendam a ablação térmica endovenosa, que é o laser ou a radiofrequência, como tratamento de primeira linha e reservam a safenectomia convencional para os casos em que as técnicas endovenosas não são viáveis.
A cirurgia de varizes é feita sempre em hospital. No laser e na radiofrequência, o paciente recebe sedação leve e anestesia local do tipo tumescente: uma solução anestésica é infiltrada em volta da veia, guiada por ultrassom, e também protege a pele do calor.
A duração varia de 40 minutos a 2 horas, conforme o número de veias tratadas e a complexidade do caso. Na cirurgia convencional com anestesia raquidiana, o paciente fica acordado, sem sensibilidade da cintura para baixo.
No fim, a perna operada é enfaixada com atadura de compressão. O paciente já sai caminhando, e isso faz parte da recuperação: cada passo contrai a panturrilha, que bombeia o sangue de volta ao coração e reduz o risco de trombose.
A cirurgia de varizes é feita sempre em hospital, em São Paulo.
A caminhada começa no primeiro dia e as atividades voltam aos poucos. Como referência, o trabalho sentado volta em cerca de 7 dias após laser ou radiofrequência e em 10 a 15 dias após a cirurgia convencional.
A recuperação da cirurgia de varizes não exige ficar de cama: a caminhada é estimulada desde o primeiro dia, e as atividades voltam de forma gradual. O que se deve evitar é ficar muito tempo parado em pé ou sentado.
É esperado aparecerem manchas roxas (equimose) na região operada, que desaparecem em algumas semanas, e a perna pode ficar um pouco inchada. Depois do laser ou da radiofrequência, é comum sentir sob a pele um cordão endurecido no trajeto da veia tratada: é a veia fechada sendo absorvida pelo corpo, e ele some em alguns meses. O desconforto costuma ser controlado com os analgésicos prescritos.
Estas são as orientações que costumo dar depois da cirurgia de varizes. O tempo de cada uma é ajustado a cada paciente.
Como referência, oriento a volta ao trabalho sentado cerca de 7 dias após laser ou radiofrequência e 10 a 15 dias após a cirurgia convencional. Esse prazo pode ser menor ou maior conforme o procedimento e a recuperação de cada paciente.
Os prazos de recuperação são estimativas e variam conforme as condições clínicas, a idade, as outras doenças do paciente (comorbidades), o nível de atividade física e a extensão do procedimento. A orientação individual do cirurgião prevalece.
Toda cirurgia tem riscos, e a de varizes também. As complicações graves são pouco frequentes quando a indicação é correta e o planejamento é feito com base no eco-Doppler.
Sim, as varizes podem voltar. A cirurgia trata as veias doentes que existem hoje, e a predisposição para a insuficiência venosa continua. Na metanálise de Shrestha e colaboradores, a recidiva em 1, 2 e 5 anos foi igual entre laser e cirurgia convencional. A recidiva depende muito da progressão da doença em veias que estavam saudáveis na época da cirurgia.
Medidas que ajudam a prevenir novas varizes:
Varizes são uma doença das veias superficiais, e a trombose venosa profunda atinge as veias profundas. As duas andam juntas: num estudo com cerca de 213 mil pessoas com varizes em Taiwan, a trombose venosa profunda foi cerca de cinco vezes mais frequente do que em pessoas sem varizes. O estudo mostra a associação e não permite dizer que as varizes causam a trombose.
Depois da cirurgia, o risco de trombose venosa profunda é baixo. A prevenção inclui caminhar desde o mesmo dia, usar a meia elástica de compressão e, em pacientes com fatores de risco adicionais (obesidade, anticoncepcional, trombose anterior, trombofilia), usar anticoagulante preventivo por tempo determinado.
Os dois tratamentos se completam. A escleroterapia (secagem de vasinhos) trata os vasinhos e as veias reticulares, finos, avermelhados ou arroxeados. A cirurgia trata as veias de maior calibre com refluxo documentado no eco-Doppler.
A escleroterapia com espuma densa pode ser usada nas safenas e em varizes menores. Conforme a avaliação, ela é o tratamento principal para quem não quer ou não pode operar, um complemento da cirurgia ou uma opção quando as varizes voltam. Na metanálise de 2026 de Sayarer e colaboradores, a espuma teve fechamento menos duradouro da safena do que laser, radiofrequência e cirurgia convencional.
Varizes pélvicas são veias dilatadas na região da pelve, mais comuns em mulheres. Elas podem causar dor pélvica crônica, sensação de peso e varizes em lugares atípicos, como vulva, períneo e parte interna da coxa. O tratamento pode envolver embolização endovascular, feita por dentro dos vasos, ou uma abordagem combinada.
Durante a cirurgia, a anestesia impede a dor: local com sedação no laser e na radiofrequência, raquidiana ou geral na convencional. Depois, é comum ter desconforto, manchas roxas e um cordão endurecido no trajeto da veia tratada, e o desconforto costuma ser controlado com os analgésicos prescritos.
Ficar de cama não é necessário. A caminhada é estimulada desde o primeiro dia, e as atividades voltam de forma gradual, evitando ficar muito tempo parado em pé ou sentado.
Como referência, o trabalho sentado volta em cerca de 7 dias após laser ou radiofrequência e em 10 a 15 dias após a cirurgia convencional. Os prazos são estimativas, variam com as condições clínicas, a idade, as comorbidades, a atividade física e a extensão do procedimento, e a orientação individual do cirurgião prevalece.
O valor depende da técnica, do número de veias tratadas e dos custos do hospital, e por isso só pode ser estimado depois da avaliação com eco-Doppler.
O atendimento do Dr. Rafael Apoloni é particular, sem convênio.
A cirurgia de varizes é feita sempre em hospital, em São Paulo. A consulta e a avaliação são no consultório da Rua Manuel da Nóbrega, 354, conjunto 85, no Paraíso.
As duas têm eficácia clínica comparável e recidiva igual em 1, 2 e 5 anos. O laser tem menos manchas roxas e hematoma, e a convencional teve mais chance de sucesso técnico em dois anos. As diretrizes indicam laser ou radiofrequência como primeira linha e a convencional quando essas técnicas não são viáveis.
Na técnica convencional, safenectomia; a retirada das varizes por pequenos furos se chama flebectomia. Laser e radiofrequência são chamados de ablação térmica endovenosa.
Sim. A cirurgia trata as veias doentes de hoje, e a predisposição continua. A recidiva em 1, 2 e 5 anos é igual entre laser e cirurgia convencional.
Sintomas novos ou em piora devem ser comunicados prontamente ao cirurgião. Dor ou inchaço progressivos na panturrilha precisam de avaliação médica urgente, no mesmo dia. Falta de ar, dor no peito, desmaio ou piora importante: procure diretamente um pronto-socorro.
Dr. Rafael Apoloni, médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519. Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), fez residência em Cirurgia Geral e em Cirurgia Vascular na USP, no Hospital das Clínicas da FMUSP, e doutorado em Clínica Cirúrgica pela USP. Tem título de especialista em Cirurgia Vascular conferido pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) e título de especialista em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular conferido pela SBACV e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).
Consultório na Rua Manuel da Nóbrega, 354, conjunto 85, Paraíso, São Paulo. Atendimento particular, sem convênio.
Se você convive com varizes e quer saber se há indicação de cirurgia no seu caso, o primeiro passo é uma avaliação com eco-Doppler venoso. O diagnóstico precoce permite tratar o refluxo antes que a doença chegue às alterações de pele e à úlcera.
Agende sua consulta ou fale com o consultório pelo WhatsApp (11) 93089-1050.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta.
Rua Manuel da Nóbrega, 354
Conjunto 85, bairro Paraíso, São Paulo/SP