Vascular
Dr. Rafael Corrêa Apoloni
Médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519 - especialista vascular em São Paulo
A celulite é uma alteração da pele e da gordura logo abaixo dela, comum na maioria das mulheres, que deixa o aspecto de casca de laranja, não dói e não muda a proporção do corpo. O lipedema é uma doença crônica do tecido gorduroso: a gordura se acumula dos dois lados por igual, nas pernas e às vezes nos braços, poupa pés e mãos, dói ao toque, forma hematomas com facilidade e responde pouco à dieta.
Se a gordura das pernas dói, deixa manchas roxas sem pancada ou não diminui com a dieta, o especialista a procurar é o cirurgião vascular. Celulite sem dor e sem desproporção é cuidada pelo dermatologista.
A palavra celulite também é usada para uma infecção de pele, que nada tem a ver com a celulite estética. Vermelhidão, calor, inchaço e dor numa perna, com ou sem febre, sugerem infecção (celulite infecciosa ou erisipela) e pedem avaliação médica no mesmo dia.
Não. Celulite e lipedema têm mecanismos e tratamentos diferentes, e tratamentos para celulite não tratam lipedema. A confusão vem de as duas aparecerem nas mesmas regiões (coxas, quadris, glúteos e pernas) e mudarem o aspecto da pele. Por isso muitas pacientes com lipedema passam anos tratando o que acham ser celulite, e a gordura que não sai com dieta e exercício acaba atribuída à falta de disciplina quando há uma doença por trás.
Celulite é o nome popular da lipodistrofia ginoide, uma alteração estrutural da pele e do tecido subcutâneo, a camada de gordura logo abaixo da pele. Atinge a maioria das mulheres depois da puberdade e é rara em homens.
O aspecto ondulado vem da forma como essa gordura se organiza. Na mulher, faixas de tecido fibroso, chamadas septos, descem na vertical da pele até o músculo e prendem a pele em pontos fixos, como os botões de um estofado capitonê. A gordura fica em compartimentos entre essas faixas. Quando ela aumenta, empurra a pele para cima entre os pontos presos, e aparece a casca de laranja. No homem, essas faixas se cruzam na diagonal, e por isso a celulite é rara neles.
Hereditariedade, estrogênio, ganho de peso e sedentarismo favorecem a celulite. Ela não causa dor nem limita o movimento, e o incômodo é estético.
O lipedema é uma doença crônica do tecido gorduroso, de causa ainda não esclarecida, com participação hormonal e familiar, que pode progredir. Atinge quase exclusivamente mulheres e costuma começar ou piorar em fases de mudança hormonal, como puberdade, gestação e menopausa. Estimativas brasileiras, feitas por questionário, apontam cerca de 12% das mulheres adultas com o quadro.
A gordura do lipedema se acumula dos dois lados por igual e para de forma abrupta no tornozelo, como uma calça que termina antes dos pés. É o chamado sinal do manguito, e os pés e as mãos ficam preservados. A região dói ao toque, mesmo com pressão leve, e manchas roxas (hematomas) aparecem com pancadas pequenas ou sem motivo aparente. A sensação de peso nas pernas piora no fim do dia e no calor. Em fases avançadas, o sistema linfático pode ser afetado e surge o lipolinfedema, com inchaço no dorso do pé e nos dedos.
O lipedema consta da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID-11, código EF02.2) e ganhou um consenso brasileiro em 2025. Mesmo assim, muitas pacientes passam anos ouvindo que o problema é celulite, obesidade ou retenção de líquido. A gordura do lipedema responde pouco à dieta e ao exercício: o tronco afina e as pernas continuam iguais. A orientação nutricional individualizada ajuda a controlar o peso e faz parte do tratamento clínico.
Para saber se é lipedema ou celulite, observe a proporção do corpo, os tornozelos e a dor, na frente do espelho e com as mãos. Pernas volumosas dos dois lados, com tronco mais fino, gordura que termina de forma abrupta no tornozelo, dor ao toque leve e manchas roxas sem pancada sugerem lipedema. Pele ondulada, sem dor e com a proporção do corpo mantida sugere celulite. Quem confirma o diagnóstico é o exame na consulta.
A celulite em geral não dói; o lipedema dói, de forma espontânea ou ao toque leve. A celulite pode incomodar pela aparência ou deixar a pele um pouco sensível, mas dor espontânea não faz parte do quadro. No lipedema, a dor à palpação, que aparece quando a região é apertada, é um dos critérios descritos no consenso brasileiro de lipedema. Dor nas pernas que surge só de encostar é um sinal para levar à consulta com o cirurgião vascular.
| Critério | Celulite (lipodistrofia ginoide) | Lipedema |
|---|---|---|
| Classificação | Alteração estrutural da pele e do tecido subcutâneo | Doença crônica do tecido gorduroso (CID-11 EF02.2) |
| Frequência em mulheres | Maioria das mulheres depois da puberdade | Cerca de 12% das mulheres adultas, em estimativas brasileiras feitas por questionário |
| Aspecto da pele | Casca de laranja, com ondulações visíveis | Pode ser lisa; pele mais macia e acolchoada |
| Distribuição | Coxas e glúteos, mais na parte de trás | Dos dois lados por igual, nas pernas inteiras e às vezes nos braços |
| Proporção do corpo | Mantida | Tronco mais fino, pernas volumosas |
| Pés e mãos | Não atinge essas áreas | Preservados; a gordura termina no tornozelo e, quando atinge os braços, no punho |
| Dor | Em geral ausente | Espontânea e ao toque |
| Hematomas fáceis | Não característicos | Característicos |
| Resposta à dieta e ao exercício | Variável; costuma melhorar com perda de peso e exercício | Pouca; o volume das pernas quase não muda |
| Hormônios | Influência do estrogênio | Começa ou piora na puberdade, na gestação e na menopausa |
| Histórico familiar | A hereditariedade contribui | Frequente em mulheres da mesma família |
| Sinal de Stemmer | Não se aplica | Em geral negativo |
| Quem avalia | Dermatologista | O cirurgião vascular é um dos especialistas que fazem o diagnóstico e coordenam o tratamento, em abordagem multidisciplinar |
| Tratamento | Hábitos de vida e procedimentos indicados pelo dermatologista | Tratamento clínico: compressão, exercício de baixo impacto, drenagem quando há inchaço, orientação nutricional individualizada |
Reconheceu na coluna do lipedema o que sente nas pernas? Para agendar uma avaliação com o cirurgião vascular, chame no WhatsApp (11) 93089-1050.
Na consulta, o cirurgião vascular junta a história da paciente e o exame físico e segue um raciocínio parecido com este:
O diagnóstico do lipedema é clínico, feito com a história da paciente e o exame físico. Exames complementares são pedidos conforme o caso, quando há dúvida no diagnóstico ou suspeita de outra doença.
As veias entram na avaliação porque são elas que devolvem o sangue das pernas ao coração. Pequenas válvulas dentro delas impedem que o sangue desça de volta, e a panturrilha funciona como um coração para as pernas: cada contração da batata da perna empurra o sangue para cima, vencendo a gravidade. Quando as válvulas falham, o sangue se acumula nas pernas, e o peso e o inchaço do fim do dia se somam ao desconforto do lipedema. O inchaço de origem venosa está explicado na página sobre pernas inchadas.
Sim, e acontece com frequência. As duas sofrem influência do estrogênio e podem aparecer na mesma paciente. Quando há lipedema, ele define o plano principal de tratamento, e a celulite é cuidada à parte, com o dermatologista. Tratar só a celulite numa paciente que também tem lipedema explica por que anos de procedimentos estéticos mudam pouco a forma das pernas.
Na celulite, a meta é melhorar o aspecto da pele. No lipedema, a meta é aliviar a dor, o peso e o inchaço e preservar a mobilidade, com acompanhamento ao longo da vida.
O diagnóstico correto permite começar cedo o tratamento clínico, que alivia sintomas e pode desacelerar a progressão. O tratamento clínico vem sempre primeiro e é montado na consulta, de acordo com os sintomas e a rotina de cada paciente:
O Dr. Rafael Apoloni não realiza lipoaspiração e, quando considera pertinente, indica cirurgião plástico.
Sintomas, diagnóstico e tratamento clínico estão detalhados na página sobre lipedema, e o que fazer quando a dieta não resolve está no post lipedema tem cura?.
Para avaliar a circulação das pernas mesmo sem sintomas, existe o check-up vascular.
Se você se reconheceu em algum desses casos, o primeiro passo é a consulta. Agende pelo WhatsApp (11) 93089-1050.
A celulite é uma alteração da pele e da gordura logo abaixo dela, comum na maioria das mulheres, que deixa o aspecto de casca de laranja, não dói e não muda a proporção do corpo. O lipedema é uma doença crônica do tecido gorduroso: a gordura se acumula dos dois lados por igual, nas pernas e às vezes nos braços, poupa pés e mãos, dói ao toque, forma hematomas com facilidade e responde pouco à dieta.
Para saber se é lipedema ou celulite, observe a proporção do corpo, os tornozelos e a dor, na frente do espelho e com as mãos. Pernas volumosas dos dois lados, com tronco mais fino, gordura que termina de forma abrupta no tornozelo, dor ao toque leve e manchas roxas sem pancada sugerem lipedema. Pele ondulada, sem dor e com a proporção do corpo mantida sugere celulite. Quem confirma o diagnóstico é o exame na consulta.
A celulite em geral não dói; o lipedema dói, de forma espontânea ou ao toque leve. Dor nas pernas que surge só de encostar é um sinal para levar à consulta com o cirurgião vascular.
A gordura do lipedema responde pouco à dieta e ao exercício: o tronco afina e as pernas continuam iguais. A orientação nutricional individualizada ajuda a controlar o peso e faz parte do tratamento clínico.
Celulite sem dor e sem desproporção é cuidada pelo dermatologista. Se a gordura das pernas dói, deixa manchas roxas sem pancada ou não diminui com a dieta, o especialista a procurar é o cirurgião vascular.
Não. A palavra celulite também é usada para uma infecção de pele, que nada tem a ver com a celulite estética. Vermelhidão, calor, inchaço e dor numa perna, com ou sem febre, sugerem infecção (celulite infecciosa ou erisipela) e pedem avaliação médica no mesmo dia.
O consultório fica na Rua Manuel da Nóbrega, 354, conjunto 85, no Paraíso, em São Paulo. Para agendar uma avaliação com o cirurgião vascular, chame no WhatsApp (11) 93089-1050.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta.
Dr. Rafael Apoloni, médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519. Texto revisado em outubro de 2026.