O laser transdérmico para vasinhos é um tratamento feito por fora da pele, sem agulha e sem corte, em que a luz do laser fecha os vasinhos das pernas. Uma revisão sistemática de cirurgiões vasculares portugueses (Baldaia e colaboradores, publicada online em 2024), com 26 estudos e 1.991 pacientes, descreveu o laser Nd:YAG de 1064 nm de pulso longo como opção segura e com bons resultados em vasos de até 3 mm de diâmetro, faixa que inclui os vasinhos mais finos (telangiectasias) e parte das veias reticulares. Ele não substitui a escleroterapia, a aplicação do medicamento esclerosante dentro do vaso, e as duas técnicas podem ser combinadas no mesmo tratamento.

Uso o laser transdérmico no consultório do Paraíso, em São Paulo, junto com a escleroterapia. Antes de escolher a técnica, investigo se aquela rede de vasinhos vem sozinha ou se é alimentada por uma veia maior que não aparece na pele, porque a resposta muda a ordem do tratamento.

Como o laser fecha o vasinho?

Na secagem de vasinhos a laser, a luz atravessa a pele e é absorvida pela hemoglobina, o pigmento que dá cor ao sangue dentro do vasinho. É o que acontece com uma camiseta escura no sol: ela esquenta mais que uma clara porque absorve mais luz. O sangue absorve a luz do laser e esquenta, esse calor controlado faz a parede do vaso fechar, e nas semanas seguintes o corpo reabsorve o que sobrou.

Ilustração em corte da pele mostrando o feixe de laser Nd:YAG atravessando a epiderme, sendo absorvido pela hemoglobina dentro do vasinho e fechando a parede do vaso em três etapas.
A luz do laser é absorvida pela hemoglobina dentro do vasinho, e o calor fecha a parede do vaso. O nome técnico desse efeito é fototermólise seletiva. Ilustração esquemática.

O aparelho que uso é um laser Nd:YAG de 1064 nanômetros, em modo de pulso longo. Esse comprimento de onda penetra mais fundo na pele que os lasers de onda mais curta, e a revisão de Baldaia e colaboradores descreve o Nd:YAG de pulso longo alcançando vasos mais grossos e mais profundos que outros tipos de laser.

O laser Nd:YAG de 1064 nm pode ser usado em pele morena ou negra. Esse comprimento de onda é pouco absorvido pela melanina, o pigmento que dá cor à pele, e por isso tem mais margem de segurança nas peles mais escuras. Isso não dispensa o ajuste do aparelho caso a caso nem os cuidados com o sol depois da sessão.

O que os vasinhos dizem sobre a circulação da perna?

Os vasinhos, chamados de telangiectasias, são vasos muito finos, em geral com menos de 1 mm, logo abaixo da pele. As veias reticulares são um pouco mais grossas, azuladas, e muitas vezes correm por baixo dessa rede. Na classificação CEAP, que o consenso da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) adota para a insuficiência venosa crônica, as duas ficam na classe C1, a mais leve com sinal visível, numa classificação que vai de C0, sem sinais, a C6, úlcera venosa aberta.

O sangue das pernas sobe de volta ao coração empurrado pela panturrilha, a batata da perna, que a cada passo aperta as veias e funciona como um coração para as pernas. Dentro das veias, pequenas válvulas fecham para o sangue não voltar. Quando elas falham numa veia maior, como uma safena ou uma veia perfurante, o sangue volta, o que se chama refluxo, e a pressão sobe nos vasos da superfície.

Parte das redes de vasinhos é alimentada por esse refluxo, vindo de uma veia que não aparece na pele. Se essa origem continua ativa, tratar só a superfície pode favorecer o retorno dos vasinhos.

Indicação por calibre: onde o laser rende mais

O calibre do vaso, a grossura dele, é o dado que mais pesa na escolha entre o laser e a escleroterapia, dentro da faixa de até 3 mm em que o laser funciona.

Um estudo romeno de Ianosi e colaboradores, publicado online em 2018, incluiu 285 mulheres com vasinhos nas pernas. Cada uma recebeu dois de três tratamentos, sorteados, um em cada perna: laser Nd:YAG, medicamento esclerosante ou soro hipertônico. Em vasos com menos de 1 mm, depois de duas sessões, o resultado foi bom ou muito bom em 95,05% das pernas tratadas com laser, contra 52,80% com o medicamento esclerosante e 59,08% com o soro hipertônico. Acima de 1 mm, laser e medicamento esclerosante tiveram resultados próximos (82,14% e 86,25%), sem superioridade demonstrada de um sobre o outro; os autores recomendam a escleroterapia à medida que o calibre cresce.

É assim que uso esses dados no planejamento:

O laser transdérmico substitui a escleroterapia?

Não. O laser transdérmico se soma à escleroterapia, e as duas técnicas podem entrar no mesmo tratamento, cada uma na parte da rede de vasinhos em que rende mais. Na revisão Cochrane de 2021, que reuniu 35 ensaios e 3.632 participantes, não houve diferença clara de clareamento entre o laser e a escleroterapia, e o laser provavelmente causa menos manchas escuras na pele, com evidência de certeza moderada. Há evidência de baixa certeza, de poucos estudos, de que associar laser e escleroterapia clareia mais do que a escleroterapia sozinha, com mais dor; a revisão de Baldaia e colaboradores encontrou o mesmo em relação ao laser sozinho, em três estudos.

A revisão de Baldaia e colaboradores, de cirurgiões vasculares portugueses, publicada online em 2024, chegou ao mesmo ponto: nos estudos que compararam as duas técnicas, o clareamento foi parecido, e a escleroterapia foi descrita como menos dolorosa e com melhora mais rápida. A revisão Cochrane é de Nakano e colaboradores.

No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde me formei, um estudo de Munia e colaboradores, publicado online em 2011 na revista Dermatologic Surgery, comparou as duas técnicas em 30 mulheres. Em cada uma, uma perna recebeu laser e a outra, escleroterapia com glicose. As fotos de antes e depois foram avaliadas por dois observadores independentes, e o resultado clínico foi equivalente entre as duas técnicas.

Na minha prática, mapeio a rede de vasinhos por calibre e planejo as duas técnicas juntas desde o início, na mesma perna e na mesma etapa do tratamento, e não uma como reserva da outra. A parte mais fina fica com o laser, e a parte que aceita a agulha fica com a escleroterapia, com glicose ou espuma.

Como decido a sequência

  1. Se o eco-Doppler encontra refluxo numa safena ou numa veia perfurante que alimenta aquela rede, trato essa origem primeiro. Clarear a superfície com a fonte ativa pode favorecer o retorno dos vasinhos.
  2. Se não há refluxo nas veias maiores, o tratamento começa pela superfície, e a escolha passa a ser pelo calibre.
  3. Se o vaso tem menos de 1 mm e a agulha não entra com precisão, a sessão é de laser.
  4. Se o vaso tem entre 1 e 3 mm e aceita a agulha, costumo associar laser e escleroterapia naquele segmento.
  5. Se a pele é mais morena, o laser ganha peso na escolha, pelo menor risco de mancha descrito com o laser.
Vídeo: Dr. Rafael Apoloni, médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519, explica o laser transdérmico para vasinhos e a associação com a escleroterapia.

Como é a sessão de laser transdérmico?

A sessão é feita no próprio consultório, sem internação. No dia, a pele da área a tratar precisa estar sem bronzeado. O paciente e eu usamos óculos de proteção, e o aparelho percorre o trajeto do vaso aplicando os pulsos ponto a ponto, no desenho da rede.

Dói, em geral de forma moderada e tolerável: a sensação mais descrita no laser para vasinhos é de calor pontual, parecido com o estalo de um elástico contra a pele, e não se usa anestesia injetável. Os estudos que compararam a dor do laser e da escleroterapia tiveram resultados diferentes entre si, e associar as duas técnicas pode doer mais.

Logo depois, a pele fica avermelhada na área tratada, às vezes com um relevo discreto, que some em algumas horas. O vaso pode escurecer antes de clarear, o que faz parte da reabsorção. A rotina volta no mesmo dia, sem repouso e sem afastamento do trabalho. Os efeitos descritos nos estudos são, em geral, leves e passageiros; manchas escuras podem aparecer e costumam clarear com o tempo, e efeitos graves são raros.

Quantas sessões de laser transdérmico são necessárias?

O número de sessões depende do calibre, da extensão da rede de vasinhos e da resposta de cada perna, e só se define depois da avaliação presencial. Como referência, as sessões costumam ser espaçadas em torno de quatro semanas, tempo para o corpo reabsorver o vaso tratado e mostrar o resultado daquela aplicação.

O resultado do laser transdérmico aparece aos poucos: o vaso clareia ao longo das semanas seguintes a cada sessão, no ritmo em que o corpo reabsorve o que sobrou. A comparação se faz de uma sessão para a outra. Cada perna responde de um jeito, e o resultado não pode ser garantido antes do tratamento.

Tratar os vasinhos de hoje não impede que outros apareçam. A herança genética, os hormônios e as muitas horas em pé continuam agindo, e por isso o acompanhamento periódico faz parte do plano.

O valor da sessão de laser transdérmico depende da extensão da rede de vasinhos e do plano de tratamento, que só se define depois da avaliação. O atendimento é particular, sem convênio.

Cuidados depois da sessão de laser

Os prazos abaixo são uma referência: variam com a pele e a extensão da área tratada, e a orientação individual recebida na consulta é a que vale.

  1. Evite sol direto na área tratada por duas a três semanas e use protetor solar de amplo espectro na região. Nesse período, a pele tratada fica mais sujeita a manchas.
  2. Por alguns dias, deixe de lado sauna, banho muito quente e bolsa térmica sobre a área.
  3. Caminhada e rotina normal estão liberadas no mesmo dia.
  4. Se a mesma sessão associou escleroterapia, use a meia elástica de compressão conforme a orientação dada no dia.
  5. Siga as orientações recebidas na consulta; se sentir algo diferente do explicado, fale com o consultório pelo WhatsApp (11) 93089-1050.

Como saber se o laser serve para os meus vasinhos?

A consulta começa pela história: há quanto tempo os vasinhos apareceram, se doem, se há peso ou inchaço no fim do dia, o que já foi tratado e como a perna respondeu. Depois vem o exame das pernas com o paciente em pé, quando as veias enchem e a rede mostra o desenho real.

O eco-Doppler, o ultrassom que mostra o fluxo do sangue dentro das veias, revela se uma veia maior com refluxo alimenta a rede de vasinhos, e isso muda a ordem do tratamento. A necessidade do exame no seu caso se define na consulta, a partir da história e do exame das pernas.

Nem todo mundo pode fazer o laser transdérmico, e a indicação sai da avaliação individual. Vasinhos que aumentam, que voltaram depois de tratados ou que vêm com peso e inchaço no fim do dia pedem avaliação com um cirurgião vascular. As páginas de secagem de vasinhos com escleroterapia e de tratamento de varizes explicam as técnicas que costumam entrar no mesmo planejamento.

Para agendar a avaliação no consultório da Rua Manuel da Nóbrega, 354, no Paraíso, em São Paulo, fale com a equipe pelo WhatsApp (11) 93089-1050 ou ligue para (11) 3287-4144.

Perguntas frequentes sobre o laser transdérmico

O que é o laser transdérmico para vasinhos?

O laser transdérmico para vasinhos é um tratamento feito por fora da pele, sem agulha e sem corte, em que a luz do laser fecha os vasinhos das pernas. Uma revisão sistemática de cirurgiões vasculares portugueses (Baldaia e colaboradores, publicada online em 2024), com 26 estudos e 1.991 pacientes, descreveu o laser Nd:YAG de 1064 nm de pulso longo como opção segura e com bons resultados em vasos de até 3 mm de diâmetro, faixa que inclui os vasinhos mais finos (telangiectasias) e parte das veias reticulares. Ele não substitui a escleroterapia, a aplicação do medicamento esclerosante dentro do vaso, e as duas técnicas podem ser combinadas no mesmo tratamento.

O laser transdérmico substitui a escleroterapia?

Não. O laser transdérmico se soma à escleroterapia, e as duas técnicas podem entrar no mesmo tratamento, cada uma na parte da rede de vasinhos em que rende mais. Na revisão Cochrane de 2021, que reuniu 35 ensaios e 3.632 participantes, não houve diferença clara de clareamento entre o laser e a escleroterapia, e o laser provavelmente causa menos manchas escuras na pele, com evidência de certeza moderada. Há evidência de baixa certeza, de poucos estudos, de que associar laser e escleroterapia clareia mais do que a escleroterapia sozinha, com mais dor; a revisão de Baldaia e colaboradores encontrou o mesmo em relação ao laser sozinho, em três estudos.

Laser para vasinhos dói?

Dói, em geral de forma moderada e tolerável: a sensação mais descrita no laser para vasinhos é de calor pontual, parecido com o estalo de um elástico contra a pele, e não se usa anestesia injetável. Os estudos que compararam a dor do laser e da escleroterapia tiveram resultados diferentes entre si, e associar as duas técnicas pode doer mais.

Quantas sessões de laser transdérmico são necessárias?

O número de sessões depende do calibre, da extensão da rede de vasinhos e da resposta de cada perna, e só se define depois da avaliação presencial. Como referência, as sessões costumam ser espaçadas em torno de quatro semanas, tempo para o corpo reabsorver o vaso tratado e mostrar o resultado daquela aplicação.

Quando aparece o resultado do laser transdérmico?

O resultado do laser transdérmico aparece aos poucos: o vaso clareia ao longo das semanas seguintes a cada sessão, no ritmo em que o corpo reabsorve o que sobrou. A comparação se faz de uma sessão para a outra. Cada perna responde de um jeito, e o resultado não pode ser garantido antes do tratamento.

Qual o valor da sessão de laser transdérmico?

O valor da sessão de laser transdérmico depende da extensão da rede de vasinhos e do plano de tratamento, que só se define depois da avaliação. O atendimento é particular, sem convênio.

Preciso fazer eco-Doppler antes de tratar vasinhos com laser?

O eco-Doppler, o ultrassom que mostra o fluxo do sangue dentro das veias, revela se uma veia maior com refluxo alimenta a rede de vasinhos, e isso muda a ordem do tratamento. A necessidade do exame no seu caso se define na consulta, a partir da história e do exame das pernas.

O laser pode ser usado em pele morena ou negra?

O laser Nd:YAG de 1064 nm pode ser usado em pele morena ou negra. Esse comprimento de onda é pouco absorvido pela melanina, o pigmento que dá cor à pele, e por isso tem mais margem de segurança nas peles mais escuras. Isso não dispensa o ajuste do aparelho caso a caso nem os cuidados com o sol depois da sessão.


Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta.

Dr. Rafael Apoloni, médico cirurgião vascular, CRM-SP 120.337, RQE 36519. Texto revisado em outubro de 2026.

Fontes