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Laser Transdérmico para Vasinhos
Laser transdérmico para vasinhos com Nd:YAG 1064 nm em São Paulo. Veja a indicação por calibre do vaso e como o laser entra no seu planejamento venoso.

Laser Transdérmico para Vasinhos

O laser transdérmico para vasinhos é uma das ferramentas que uso no consultório para tratar telangiectasias das pernas, sempre depois de investigar o quadro venoso que sustenta aquela rede. Boa parte das telangiectasias das pernas é alimentada por refluxo em veias maiores, e essa informação muda o plano inteiro. A aparência costuma ser o motivo da consulta. A conversa, em geral, começa antes disso: por que essa rede apareceu, se ela vem sozinha ou se vem de uma veia que não aparece na superfície, e o que muda no tratamento conforme a resposta.

Esta página explica como o laser age no vaso, em que calibre ele rende mais, como entra junto com a escleroterapia dentro de um mesmo planejamento e quais cuidados a pele exige depois de cada sessão.

O que o vasinho diz sobre a circulação da perna

Telangiectasias são vasos muito finos, geralmente com menos de 1 mm, visíveis logo abaixo da superfície da pele. Veias reticulares são um pouco mais calibrosas, azuladas, e costumam correr por baixo dessa rede mais fina alimentando parte dela.

Na classificação CEAP, que o consenso da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular adota para a insuficiência venosa crônica, telangiectasias e veias reticulares são a classe C1. C0 é a perna sem sinal visível de doença venosa, C2 são as varizes, C3 o edema, e assim por diante até a úlcera venosa em C6. Ou seja: o vasinho já ocupa um degrau dentro do espectro da doença venosa, ainda que seja o primeiro deles e frequentemente assintomático.

Isso tem consequência prática direta. Parte das redes de vasinhos é alimentada por refluxo em veias maiores, muitas vezes em uma safena ou em uma veia perfurante que não aparece na superfície. Quando essa origem existe e ninguém a investiga, o tratamento de superfície clareia a região por alguns meses e a rede volta, às vezes com mais vasos do que antes. É comum receber no consultório pacientes que já fizeram várias sessões em outros lugares, ficaram satisfeitos por um tempo e agora perguntam por que os vasinhos voltaram sempre no mesmo ponto da coxa. Na maioria dessas situações, o eco-Doppler encontra uma veia alimentadora que nunca foi avaliada.

Por isso a avaliação venosa vem antes da escolha da tecnologia. Quem trata só o que se vê corre atrás do prejuízo.

Como o laser transdérmico age dentro do vaso

Transdérmico significa que o tratamento acontece por fora da pele, sem agulha e sem incisão. O aparelho emite um pulso de luz que atravessa a camada superficial e é absorvido pela hemoglobina, o pigmento que dá cor ao sangue dentro do vasinho. Essa absorção gera calor no interior do vaso, de forma controlada, e o calor faz a parede fechar. Nas semanas seguintes o organismo reabsorve o que sobrou, e o vaso vai clareando aos poucos.

Ilustração em corte da pele mostrando o feixe de laser Nd:YAG atravessando a epiderme, sendo absorvido pela hemoglobina dentro do vasinho e fechando a parede do vaso em três etapas.
Fototermólise seletiva: a luz do laser é absorvida pela hemoglobina dentro do vasinho, e o calor gerado contrai e fecha a parede do vaso. Ilustração esquemática.

O equipamento que uso é um Nd:YAG de 1064 nanômetros operando em modo de pulso longo. Esse comprimento de onda penetra mais fundo na pele do que os lasers de comprimento mais curto e é pouco absorvido pela melanina, o que amplia a margem de segurança em peles morenas e negras, onde outras tecnologias a laser trazem risco maior de mancha. A revisão sistemática de Baldaia e colaboradores, publicada na revista Vascular, reuniu 26 estudos com 1.991 pacientes e descreve justamente essa característica: o 1064 nm de pulso longo alcança vasos de maior diâmetro e profundidade do que outras modalidades de laser.

O resfriamento da pele durante a aplicação é parte do procedimento. Ele protege a epiderme enquanto o calor se concentra dentro do vaso, e reduz bastante a sensação de ardência que os pacientes relatam.

Laser e escleroterapia dentro do mesmo planejamento

A pergunta que mais ouço no consultório é qual das duas técnicas funciona melhor. A literatura mostra as duas funcionando, em faixas diferentes de calibre, com rendimento maior quando entram juntas no mesmo tratamento.

A revisão Cochrane de 2021 sobre tratamento de telangiectasias e veias reticulares, assinada por Nakano, Cacione, Baptista-Silva e Flumignan, reuniu 35 ensaios e 3.632 participantes. Na comparação direta entre escleroterapia e laser, não houve diferença clara na resolução das telangiectasias. O laser apresentou menos hiperpigmentação, com certeza de evidência moderada, e os achados sobre dor variaram entre os estudos. A mesma revisão registra que a associação de laser com escleroterapia pode resultar em resolução melhor, acompanhada de mais dor durante as sessões.

A revisão de Vascular chega a um achado convergente: o tratamento com microespuma de polidocanol associado ao Nd:YAG apresentou taxas de clareamento melhores do que o Nd:YAG isolado em três dos estudos analisados. E um trabalho conduzido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, de Munia e colaboradores, publicado em Dermatologic Surgery, encontrou resultado clínico equivalente entre laser e escleroterapia em pacientes com telangiectasias de perna.

Na minha prática clínica, uso esse conjunto de dados de um jeito bem concreto: mapeio a rede de vasinhos por calibre e distribuo as técnicas dentro da mesma perna, na mesma etapa do tratamento. A parte fina fica com o laser, a parte que aceita punção fica com a escleroterapia. O laser entra desde a primeira etapa, no segmento em que a evidência mostra que ele rende, em vez de ficar guardado para o que sobrar depois de várias sessões de agulha.

Como decido a sequência

O raciocínio segue uma ordem, e ela começa longe da superfície:

  1. Se o eco-Doppler encontra refluxo em safena ou em veia perfurante alimentando aquela rede, então trato a origem primeiro. Clarear a superfície enquanto a fonte continua ativa antecipa a recidiva.
  2. Se não há refluxo em troncos e a rede é primária, então o tratamento começa direto pela superfície, e a escolha passa a ser por calibre.
  3. Se o vaso tem menos de 1 mm e a agulha não entra com precisão, então a sessão é de laser.
  4. Se o vaso tem entre 1 mm e 3 mm e aceita punção, então a escleroterapia costuma resolver com menos sessões naquele segmento.
  5. Se o fototipo é mais alto ou há histórico de hiperpigmentação após escleroterapia, então o peso da balança se desloca para o laser, pelo perfil de mancha descrito na revisão Cochrane.

Como é a sessão

A sessão de laser transdérmico é ambulatorial e acontece no próprio consultório. A pele da área a tratar precisa estar sem bronzeado e sem hidratante, creme ou maquiagem no dia. Uso óculos de proteção, e o paciente também.

O aparelho é posicionado sobre o trajeto do vaso e aplica os pulsos ponto a ponto, acompanhando o desenho da rede. A cada disparo a sensação mais descrita é de um calor pontual, parecido com o estalo de um elástico contra a pele, sem anestesia injetável. O resfriamento simultâneo torna isso bastante tolerável para a maioria das pessoas.

Logo depois da aplicação a pele costuma ficar avermelhada na área tratada, às vezes com um discreto relevo, quadro que cede em algumas horas. O vaso pode escurecer antes de clarear, e esse escurecimento inicial faz parte do processo de reabsorção.

A rotina normal é retomada no mesmo dia. Não há repouso nem afastamento do trabalho.

Protocolo, intervalo entre sessões e o que esperar do resultado

O intervalo habitual entre as sessões é de 4 a 8 semanas. Esse intervalo acompanha o tempo que o organismo leva para reabsorver o vaso tratado e mostrar o resultado real daquela aplicação. Reavaliar antes disso leva a decisões tomadas sobre uma foto incompleta.

O resultado é progressivo. O vaso clareia ao longo das semanas seguintes a cada sessão, e a comparação honesta se faz de sessão para sessão, não de um dia para o outro. O número total de aplicações depende do calibre, da extensão da rede e da resposta individual, que varia bastante entre pessoas com quadros parecidos. Qualquer estimativa fechada antes da avaliação presencial seria chute.

Uma ressalva que faço sempre: tratar os vasinhos que existem hoje não impede que novos apareçam. A predisposição genética, o componente hormonal e a rotina de muitas horas em pé continuam agindo. Por isso o acompanhamento periódico faz parte do plano, e não é sinal de que algo deu errado.

Cuidados depois de cada sessão

Contraindicações e situações que exigem avaliação individual

Nem toda pele e nem todo momento comportam o laser transdérmico. As situações que sempre reviso antes de indicar:

Sobre cobertura: o atendimento é exclusivamente particular. Alguns planos podem reembolsar quando há indicação funcional documentada, e essa consulta deve ser feita diretamente com a operadora.

A avaliação vascular antes de tratar

A consulta começa com a história: há quanto tempo os vasinhos apareceram, se doem, se há sensação de peso ou inchaço ao fim do dia, o que já foi tratado antes e como aquela perna respondeu. Depois vem o exame físico com a paciente em pé, que é quando as veias se enchem e a rede mostra seu desenho real.

O eco-Doppler colorido completa o quadro. Ele mostra se existe refluxo nos troncos venosos, onde ele começa e qual segmento alimenta a rede visível. Esse exame é o que separa um plano de tratamento de uma sequência de sessões sem direção. Também é ele que define se o primeiro passo é a superfície ou uma veia mais profunda, conforme a sequência descrita acima.

Só depois disso faz sentido discutir laser, escleroterapia, número de sessões e cronograma. Se você quer entender o quadro venoso mais amplo antes de decidir, a página sobre tratamento de varizes e a de secagem de vasinhos com escleroterapia cobrem as técnicas que costumam entrar no mesmo planejamento.

Perguntas frequentes

O laser transdérmico substitui a escleroterapia?

As duas técnicas ocupam faixas diferentes de calibre. O estudo randomizado de Ianosi e colaboradores registrou vantagem do laser Nd:YAG em vasos com menos de 1 mm e eficácia semelhante entre laser e polidocanol acima de 1 mm. A revisão Cochrane de 2021 descreve resolução melhor quando laser e escleroterapia são associados, com mais dor durante as sessões. Por isso o planejamento costuma prever as duas, cada uma na faixa em que rende mais.

Laser para vasinhos dói?

A sensação mais descrita é de calor pontual, semelhante a um estalo de elástico na pele, sem anestesia injetável. Estudos comparativos indicam dor um pouco maior do que na escleroterapia, e a revisão Cochrane registra resultados inconsistentes entre trabalhos nesse quesito. O resfriamento da pele durante a aplicação reduz bastante o desconforto.

Quantas sessões de laser transdérmico são necessárias?

O número depende do calibre, da extensão da rede de vasinhos e da resposta individual. O intervalo habitual entre sessões é de 4 a 8 semanas, porque a reabsorção do vaso tratado leva esse tempo. A definição do número de sessões só é possível depois da avaliação presencial.

Preciso fazer eco-Doppler antes de tratar vasinhos com laser?

Na maioria dos casos, sim. Telangiectasias correspondem à classe C1 da classificação CEAP, adotada no consenso da SBACV, e podem ser a manifestação visível de refluxo em veias maiores. Quando existe um tronco alimentando aquela rede, tratar apenas a superfície costuma resultar em retorno precoce dos vasinhos. O eco-Doppler mostra se há essa origem a tratar primeiro.

Quem não pode fazer laser transdérmico para vasinhos?

Gestantes, pessoas em uso de isotretinoína ou de outros medicamentos fotossensibilizantes, pele bronzeada ou com exposição solar recente na área a tratar e algumas dermatoses, como vitiligo, exigem avaliação individual antes da indicação. Anticoagulação, diabetes descompensado e histórico de cicatrização alterada também entram na análise.

Quando aparece o resultado do laser transdérmico?

O clareamento é progressivo ao longo das semanas seguintes a cada sessão, no ritmo em que o organismo reabsorve o vaso tratado. A área tratada deve ser protegida do sol por 2 a 3 semanas para reduzir o risco de hiperpigmentação. Cada pessoa responde de forma diferente, e nenhum resultado pode ser garantido antes da avaliação.

O laser pode ser usado em pele morena ou negra?

O Nd:YAG de 1064 nm é o comprimento de onda com maior margem de segurança em fototipos mais altos, porque é pouco absorvido pela melanina. Isso amplia a indicação, e não dispensa o ajuste de parâmetros caso a caso nem os cuidados com o sol depois da sessão.

Agende sua avaliação vascular

Se os vasinhos nas suas pernas vêm aumentando, se já foram tratados antes e voltaram, ou se vêm acompanhados de peso e inchaço ao fim do dia, uma avaliação com eco-Doppler mostra o que está por trás daquela rede e o que faz sentido tratar primeiro. Agende uma avaliação para discutir o planejamento adequado ao seu caso.

WhatsApp: (11) 93089-1050


Dr. Rafael Corrêa Apoloni
Cirurgião Vascular e Endovascular
CRM 120.337 SP · RQE 36519
Formação e atuação

O conteúdo desta página tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual, e nenhum resultado é prometido ou garantido.

Referências

  1. Baldaia L, Dias-Neto M, Almeida Pinto J. Long-pulsed 1064nm Nd:YAG laser in the treatment of leg veins: Systematic review. Vascular. 2025;33(1):151-166. DOI: 10.1177/17085381241236587. Acessar
  2. Nakano LCU, Cacione DG, Baptista-Silva JCC, Flumignan RLG. Treatment for telangiectasias and reticular veins. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021. DOI: 10.1002/14651858.CD012723.pub2. Acessar
  3. Ianosi G, Ianosi S, Calbureanu-Popescu MX, Tutunaru C, Calina D, Neagoe D. Comparative study in leg telangiectasias treatment with Nd:YAG laser and sclerotherapy. Experimental and Therapeutic Medicine. 2019;17(2):1106-1112. DOI: 10.3892/etm.2018.6985. Acessar
  4. Munia MA, Wolosker N, Munia CG, Chao WS, Puech-Leão P. Comparison of laser versus sclerotherapy in the treatment of lower extremity telangiectases: a prospective study. Dermatologic Surgery. 2012;38(4):635-639. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2011.02226.x. Acessar
  5. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Consenso no Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica de Membros Inferiores. Acessar
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Dr. Rafael Apoloni
Especialista
Cirurgia
Vascular
"Sou formado em Medicina pela Universidade de São Paulo, possuo títulos de especialista em Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBAVC)."

Dr. Rafael Corrêa Apoloni
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Fabio Lamberti
28/08/2023
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Todos muito atenciosos O atendimento e comprometimento do Dr é absolutamente espetacular. Muito bom
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Angela Hellmeister
02/03/2023
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Dr.Rafael é um profissional especial....excelente atendimento,atencioso e cuidadoso!!
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Andréa H.
02/03/2023
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Excelente atendimento e profissional maravilhoso !
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Barbara Cristina
25/11/2022
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Excelente profissional! Meu tratamento foi para vasinhos e o resultado foi alcançado. Indico para todos que estão em busca de um resultado 100% eficaz.
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Marcelino Paraguassu Damaceno Neto
18/08/2022
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Ótimo ,médico fiz meu tratamento com ele ,e obetive um ótimo , resultado , recomendo a todos ,estou muito satisfeita ,meus parabéns Dr
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Edson Machado (Machadão)
29/06/2022
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O Dr. Rafael foi impressionante, educado, atencioso e muito competente. A cirurgia de varizes foi um sucesso e a recuperação melhor ainda ( mais rápido do que eu imaginava). Todo o processo desde a internação até a recuperação foi muito bem explicado. O pós operatório foi de primeira. Eu recomendo este médico, pois se trata de um profissional muito gabaritado. Só para constar.. o consultório é bem localizado e o atendimento na recepção é muito bom. Parabéns a todos.
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aninha limaa Lima
27/06/2022
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Dr.Rafael um excelente profissional...
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Adele Pedrão
15/09/2020
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Ótimo cirurgião Excelente atendimento. Ficou perfeito.
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